Fazendo Gênero


Ausência, por MARIANA TONIN

 

Acordo diferente!  Meu banho é quente e demorado.

 

Tomo café com ela (a solidão!) e, assim como eu, ela não está num daqueles dias de comer muito.  Acho que é porque precisa manter a forma para me acompanhar, assim como a Danka, minha cadela de estimação bicentenária.

 

Visto uma roupa confortável e despretensiosa, coloco aquele colar cheio de patuás que trouxe da Bahia (que você tanto odeia), calço um sapato baixo que não me deixa nada feminina e nem passo batom.   Adoro não precisar parecer uma moça com dono!

 

No carro escuto Nação Zumbi bem alto! Tão pouca gente sabe sobre eles, né?! Como pode? É um movimento tão charmoso ou, no mínimo, uma música boa pra dançar.

 

Sim! Sim! Começo a perceber que posso estar bem acompanhada dentro do meu universo.  Eu e a Danka, ..., eu e Nação Zumbi, ..., eu e a organização da minha casa, ..., eu e minhas contas pagas em dia, ..., eu e a paz no meu carro, sem ninguém para me dizer que eu ando muito mais lento do que deveria.

 

Acho que hoje vou alugar um daqueles filmes europeus P&B e assistir esparramada na cama, usando um pijama velhinho e com o ar-condicionado bem frio (dane-se sua renite, sinusite, chatice).  Posso até fazer pipoca ou comer brigadeiro na panela...

 

Encontro com uma amiga para um brunch e conversamos divertidamente sobre essa nossa mania de não se achar feliz, mas impor ao mundo nossa cartilha de felicidade.

 

Volto pra casa e noto como o mundo fica enorme sem você!!!  Apesar do mundo estar cheio de opções, todas elas me parecem azedas e murchas demais.

 

Hoje, a única opção que me interessa é aquela que eu nutri anos a fio: família grande, café da manhã barulhento, Natal cheio de presentes, cachorro correndo com crianças pela cozinha, contas de escola/farmácia/supermercado chegando, e beijo de boa noite.

 

Me sinto só quando te vejo como minha família e percebo que tudo que tenho para o café da manhã são duas opções de suco “natural” em caixa e uma sobra de pão de supermercado.

 

Eu continuo só, querendo escrever uma vida com você,..., justo com você, que detesta minha história, minha calma, minha mania de compreender os outros, meus caminhos anotados e minhas regras.

 

O que me entristece é ter visto em você o fim de uma história contada sempre com a mesma intensidade individual, ..., é ter pensado que sua solidão e minha solidão pudessem sofrer juntas, enquanto a gente se divertia.

 

Hoje eu vejo você saindo pela porta e as paredes se fechando, se fechando, se fechando... e eu sem poder berrar para, pelo amor de Deus, você me levar junto nessa aventura.

 



Escrito por Mariana Tonin às 07h00
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